“Vestir essa camisa é um sonho de criança”, Jhonatha Kaique e a história de persistência que o levou ao Mamoré
- Esporte Clube Mamoré
- 20 de jan.
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Atacante saiu das quadras do interior mineiro, superou frustrações e realizou o sonho de se tornar profissional com a camisa do Sapo.
Por Isabella Oliveira

A trajetória de Jhonatha Kaique Rocha Reis é marcada por mudanças, desafios e, principalmente, por uma ligação profunda com o Esporte Clube Mamoré. Atacante de 21 anos, natural de Mirabela, no Norte de Minas Gerais, ele construiu sua caminhada no futebol com simplicidade, dedicação e muita perseverança, até realizar o sonho de se tornar atleta profissional vestindo a camisa alviverde.
Ainda muito pequeno, com apenas oito meses de idade, Jhonatha se mudou com a família para o povoado de Santiago, no município de Presidente Olegário (MG), local onde o futebol passou a fazer parte do seu dia a dia.
“Nesse povoado havia uma quadra, onde passei grande parte da minha infância jogando bola. Jogava por diversão, mas sempre com muita paixão pelo futebol”, relembra. Entre a escola e a quadra, Jhonatha construiu uma relação natural com o esporte, sempre incentivado pela família. “Eu esperava ansiosamente o horário de sair da escola para ir direto jogar. Ficava horas na quadra e nem via o tempo passar”.


Com o passar dos anos, o futebol ganhou mais organização por meio de um projeto social que oferecia treinos semanais. Aos 11 anos, uma nova mudança marcou sua história, a ida para uma fazenda próxima à comunidade de Café Patense, em Patos de Minas. “Foi mais uma mudança importante na minha vida”, afirma.
No novo local, o futebol seguiu presente em um campo comunitário, onde conheceu pessoas que seriam determinantes em sua formação. “Foi ali que conheci o Dilas, que me convidou para fazer parte da escolinha do Vila. Permaneci bastante tempo, disputei campeonatos regionais e fui amadurecendo dentro do futebol”. Mais tarde, o caminho o levou à escolinha do Mamoré, onde teve seu primeiro contato mais direto com o clube que marcaria sua carreira.

O sonho, no entanto, sofreu uma pausa quando ele estourou a idade das categorias de base da escolinha. “Tive que sair e acabei deixando o sonho um pouco de lado. Fiz vários testes, tive boas avaliações, mas as oportunidades não se concretizaram. Isso trouxe muita frustração”, conta. Ainda assim, Jhonatha nunca se afastou completamente do futebol. “Passei a jogar apenas por prazer, em campeonatos amadores e rurais, praticamente de segunda a segunda”.
A reviravolta veio em 2023, quando recebeu um convite para integrar um projeto do Mamoré voltado à formação de atletas para a disputa da Segunda Divisão do Campeonato Mineiro. “Esse convite reacendeu em mim a confiança no meu sonho e no meu potencial como jogador”, destaca. A resposta veio dentro de campo, boas atuações, dedicação nos treinos e a efetivação no elenco profissional.

“Receber o convite para integrar o profissional foi um marco na minha vida. Me dediquei intensamente, fiz minha estreia, entrei em jogos e consegui marcar meu primeiro gol como atleta profissional”. No mesmo ano, Jhonatha fez parte da campanha vitoriosa que garantiu o acesso e o título da Segunda Divisão. “Em 2023, fomos coroados com o acesso e o título. Foi algo inesquecível.”
Em 2024, permaneceu no clube, disputou o Módulo II e voltou a balançar as redes. Após a competição, desceu para o Sub-20, onde se destacou novamente. “Tive o privilégio de ser um dos artilheiros do Campeonato Mineiro Sub-20”. No ano seguinte, viveu a experiência da elite estadual, emprestado ao Aymorés de Ubá. “Enfrentei clubes que antes eu só via pela televisão e joguei em estádios que sempre sonhei em conhecer”.

De volta ao Mamoré em 2025, teve sequência, marcou três gols e realizou uma campanha consistente. Depois, defendeu o Paracatu na Segunda Divisão, contribuindo com gols e assistências, antes de retornar novamente ao clube de Patos de Minas.
A identificação com o Mamoré vai além das quatro linhas. “No Mamoré, eu me sinto abraçado, me sinto em casa. Minha família vive esse sonho comigo e é muito grata ao clube pela oportunidade”, afirma. O sentimento de orgulho é evidente. “Quando cheguei aqui, senti um misto de emoções e um privilégio enorme por representar uma camisa tão tradicional”.
Para Jhonatha Kaique, vestir o verde e branco é a materialização de um sonho antigo. “Vestir a camisa do Mamoré é algo inexplicável. É um sonho que carrego desde criança e representa orgulho, gratidão e uma responsabilidade enorme de honrar essa camisa dentro e fora de campo”, finaliza.







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